Com o evoluir da sociedade, os papéis parentais têm felizmente se desenvolvido, tendo caído na grande maioria das famílias o conceito “pai trabalhador” e “mãe dona de casa e cuidadora dos filhos”.
As crianças têm tido mais oportunidades de crescer com uma mãe e um pai, dois modelos, na maioria das vezes, diferentes e complementares, que permitem à criança desenvolver competências e construir uma personalidade equilibrada, com limites e regras, banhada de afeto e carinho, sem disputas ou conflitos de lealdade.
Ou pelo menos, era assim que deveria ser…
Pai e Mãe são mais do que progenitores, são os adultos de referência e afeto, de estrutura e regras, de partilha e cuidado, com que as crianças aprendem a ver o mundo, a desafiá-lo e a envolver-se nele. Mesmo não havendo famílias perfeitas, e apesar de ser a progenitora que carrega a criança nove meses na barriga, o ser Mãe e o ser Pai vem muito para além desse momento, vem numa construção diária de respeito, atenção e presença partilhada com os mais pequenos.
Infelizmente, as visões diferentes entre mãe e pai, tanto para a parentalidade, como para a vida, levam muitas vezes, a um conflito subjacente ao quotidiano, que torna as crianças reféns de definição de lealdade, comportamentos parciais, e até mesmo alienação parental.
As crianças não têm de escolher, não têm de ser adultas, nem têm de compreender nenhum dos seus progenitores!
As crianças têm de ter oportunidade de conhecer a mãe e o pai, as suas forças e vulnerabilidades, numa procura de estabelecerem relações de vínculo seguras e estruturadas!
Estamos numa era de múltiplos formatos de famílias, mas os pré-conceitos de Mãe como ser central e primordial na vida das crianças tem de começar a ser reconstruído, dado que, nem todas as progenitoras têm as capacidades de serem boas mães, tal como nem todos os progenitores têm capacidades para serem bons pais. Não é o título de “mãe” que dá autoridade máxima sobre a criança, pelo contrário, é a forma como cada adulto se relaciona com a criança, como procura dar afeto, limites, carinho, cuidado, estrutura, respeito, diálogo… que determina o modelo relacional saudável que será estabelecido naquela família.
Neste dia do pai, gostaria de apelar à reflexão e à imparcialidade no olhar, de forma a que, mães e pais, consigam centrar a sua atuação nas crianças, na dinâmica parento-filial saudável, conseguindo combater os conflitos, as mágoas e a ideias erradas de que as crianças só precisam de si mesmas para crescerem, de que apenas uma “mãe” chega, de que, apenas o controlar e fechar a criança num casulo, dando uma sensação de controlo ao progenitor em causa, contribui para a felicidade da criança.
A criança é feliz quando pode crescer em contextos estruturados, com regras, com amor, com diálogo, sem ter de ser mediador, cuidador ou o adulto na sua própria casa!
Carla Dias da Costa
Psicóloga Especialista em Psicologia Clínica e da Saúde
Psicóloga Especialista em Psicologia da Educação
Psicóloga com Especialidade Avançada em Psicoterapia e Neuropsicologia
(Cédula OPP nº60)
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